Feliz Natal
Na impossibilidade de o fazer pessoalmente aproveito o nosso feupinho para desejar a todos um Feliz Natal
Aproveito e deixo-vos de presente um poema do José Régio e uma cantata de Bach.
Toada de Natal
Natal. Eis que anunciando o Cristo que nasceu,
De branco, um Serafim voou do céu,
À fímbria do vestido a poeira dos sóis presa...
Vinte anos faz que o viste a par do Sete-Estrelo.
Cresceste... e nunca mais tornaste a vê-lo!
Pois basta-te querê-lo:
Ergue as mãos juntas,
Reza...
Natal. Eis que inviolada, uma Mulher foi Mãe,
E se venera agora (e para sempre, amém)
A que deu fruto e é pura — ideal pureza...
Não sabes já vencer-te e crer sem compreender?
Esquece o que os manuais dão a aprender:
Mergulha no teu ser,
Como num templo:
Reza...
Natal. Eis que ao luar, os mortos que dormiam
Dos frios leitos lôbregos se erguiam,
E vinham consoar à sua antiga mesa...
Não tens que lhes dizer desde que te hão deixado?
Não sentes os teus mortos a teu lado?
Pois fala-lhes calado,
Para que te ouçam:
Reza...
Natal. Eis que uma paz, que ao certo é doutra vida,
Abranda toda a terra empedernida,
E é cada mesa em festa uma igrejinha acesa...
Abre hoje o coração — portal que se franqueia.
São todos teus irmãos: até os da cadeia,
As que andam na má sina e os que não têm ceia...
Por todos e por ti, Ave, Maria:
Reza...
José Régio
Natal up-to-date
Em vez da consoada há um baile de máscaras
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
que usarão dominó já na próxima década
Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
enquanto se não sabe ao certo o resultado
dos que vêm sondar a reacção do público
Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da lua
Rainhas de beleza hão-de vir de helicóptero
e é provável até que se apresentem nuas
Eis que surge no céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado
onde se vende pão já transformado em cinza
para que o ritual seja muito mais rápido
Assim a noite passa E passa tão depressa
que a meia-noite em vós nem se demora um pouco
Só Jesus no entanto é que não comparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco.
David Mourão-Ferreira
...Em jeito de desabafo...
Free Hugs
Hoje recebi este Free Hugs! Dá vontade de ir para a baixa do Porto... A data até convida!
Já agora, um abraço para o quem o quiser receber!
Uma mão no lugar de mil palavras
Dois feupinhos na Escócia, 1994

Aqui estão dois feupinhos juntos em terra estrangeira (Glasgow) , há 12 anos atrás. Não estamos mais velhos, mas sim melhores (Yeah right...).
E agora ponham lá os scanners a funcionar e toca a publicar fotos dos cortejos, festividades avulsas, viagem de fim de curso, férias na neve, rebentos, etc, etc
Boas festas!
Fim de tarde em Dezembro
Digam lá que não estavam com saudades de um fim de tarde (dia) assim...

Tiradas pelo Nuno, há poucos minutos atrás
Parabéns Susana
Há uns anos recebi um postal com este poema do Álvaro de Campos. Gostei.
Hoje devolvo-o em forma de posta e declamado pelo João Grosso e formulando o desejo de que tragas sempre "o passado roubado na algibeira".Susana, um beijo de Parabéns!
ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
15/10/1929
Termodinâmica em poucas palavras
Primeira lei da termodinâmica: A
quantidade total de energia
mantém-se constante em qualquer máquina, processo ou acontecimento.
Segunda lei da termodinâmica: A
qualidade total de energia
diminui sempre, em qualquer máquina, processo ou acontecimento.
Lua Cheia
Hoje não dá para contemplá-la. Ofereço-vos um luar de Agosto.
(...)
Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
(...)
Sophia de Mello Breyner . "Poesia I"
A criatividade dos Engenheiros Mecânicos
Borat
Já me disseram que não se pode perder!